A Casa Branca está considerando uma possível viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Arábia Saudita.
“Uma oportunidade de viagem internacional para o presidente é algo que está sendo analisado. Ainda não temos um plano específico e forneceremos essa informação quando for oficial”, disse um funcionário da Casa Branca em resposta à reportagem da Axios de que Trump está planejando uma viagem para meados de maio.
A primeira viagem de Trump ao exterior durante seu mandato anterior foi uma turnê por cinco países que incluiu Arábia Saudita, Israel, o Vaticano, uma cúpula da OTAN em Bruxelas e uma cúpula do G7 na Sicília.
A Arábia Saudita tem sediado reuniões de alto risco de altos funcionários americanos, russos e ucranianos. Isso ressalta as aspirações do reino de se tornar um ator global capaz de mediar conflitos internacionais com sucesso.
Os sauditas mediarem o encontro entre altos funcionários dos EUA e da Rússia no mês passado, as primeiras conversas diretas entre Washington e Moscou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.
O local para essas conversas — descrito na época pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, como um que “geralmente convém” aos Estados Unidos e à Rússia — é amplamente considerado uma vitória para o líder de fato do reino, de 39 anos, o príncipe Mohammed.
Ele está em uma missão para transformar o país rico em petróleo e seu passado fundamentalista islâmico em uma nação que pode cultivar “soft power” (estratégia para conquista de prestígio sem uso de força) a partir de imensa riqueza.
Tudo faz parte de uma mudança mais ampla. Nos últimos anos, a Arábia Saudita realinhou suas políticas em direção à neutralidade em conflitos globais com a esperança de se afastar da guerra e se aproximar de atrair bilhões de dólares em investimentos que poderiam ajudar a alcançar a “Visão 2030” – o plano do príncipe herdeiro de diversificar a economia saudita para longe do petróleo.
O príncipe Mohammed se afastou significativamente do Iêmen após anos de guerra com os vizinhos Houthis apoiados pelo Irã, está consertando laços com o rival regional Irã e manteve relacionamentos próximos com a China e a Rússia – tudo isso preservando o relacionamento próximo da Arábia Saudita com o Ocidente.
A ascensão do príncipe Mohammed como um corretor de poder nas negociações decorre de seu relacionamento próximo com Trump, que apoiou o jovem membro da realeza quando ele foi rejeitado internacionalmente após o assassinato do colunista do Washington Post Jamal Khashoggi em 2018 por agentes sauditas.
Em 2017, Trump rompeu com a tradição ao escolher a Arábia Saudita para sua primeira visita presidencial internacional.
Mesmo após perder a eleição de 2020, os sauditas mantiveram os laços comerciais estreitos com o americano, investindo US$ 2 bilhões em uma empresa presidida por seu genro Jared Kushner e anunciando planos para construir torres Trump no reino.
Este conteúdo foi originalmente publicado em Casa Branca considera primeira viagem internacional do mandato de Trump no site CNN Brasil.