Entenda a proposta de acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou nesta segunda-feira (31) que os Estados Unidos receberiam um “golpe recíproco” se agissem segundo a ameaça feita no domingo (30) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de bombardear o país se Teerã não chegar a um novo acordo nuclear com Washington.

A proposta atual prevê maior controle americano sobre o programa nuclear iraniano, uma carta enviada pelo republicano no início do mês a Khamenei pediu o início das negociações sobre o assunto.

Em fevereiro, Trump assinou um memorando proibindo Teerã de ter armas nucleares e fez a primeira menção sobre buscar uma resolução com o país.

Este não seria o primeiro acordo firmado pelo governo iraniano sobre suas atividades do país

Acordo nuclear de 2015

Um acordo nuclear entre o Irã e diversas potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, foi firmado em julho de 2015, sendo formalmente conhecido como Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA).

Na resolução histórica, Teerã concordou em desmontar grande parte de seu programa nuclear e abrir suas instalações para inspeções internacionais minuciosas em troca de bilhões de dólares em alívio de sanções.

Os proponentes do acordo afirmaram que a medida ajudaria a evitar uma retomada do programa de armas nucleares do país e, assim, reduziria as perspectivas de conflito entre o Irã e rivais regionais, incluindo Israel e Arábia Saudita.

No entanto, a resolução está em risco desde que Trump retirou os EUA em 2018.

Em retaliação à saída dos americanos e aos ataques mortais a iranianos em 2020, incluindo um dos Estados Unidos, o Irã retomou suas atividades nucleares.

Os inspetores da ONU relataram no início de 2023 que o país havia enriquecido quantidades vestigiais de urânio a níveis quase de grau de armas, gerando alarme internacional.

O presidente Joe Biden havia declarado que Washington retornaria para o JCPOA se o Irã voltasse a cumprir, mas depois de mais de dois anos de negociações intermitentes, os países não chegaram a um consenso.

Volta das atividades nucleares no Irã

No início do ano, o chefe do órgão de vigilância nuclear da ONU, Rafael Grossi afirmou que o país estaria “pisando no acelerador” em seu enriquecimento de urânio, e que essa aceleração estaria começando a surtir efeito.

Segundo Grossi, o Irã havia informado à Agência Internacional de Energia Atômica que aceleraria o enriquecimento de urânio a até 60% de pureza, mais próximo dos cerca de 90% que caracterizam o grau para armas.

As potências ocidentais classificaram a medida como uma grave escalada e disseram que não havia justificativa civil para o enriquecimento até esse nível e nenhum outro país fez isso sem produzir armas nucleares.

O Irã se defendeu afirmando que seu programa é totalmente pacífico e que tem o direito de enriquecer urânio em qualquer nível que desejar.

Segundo um parâmetro da Agência Internacional de Energia Atômica, cerca de 42 kg de urânio enriquecido até esse nível é suficiente, em princípio, se enriquecido ainda mais, para uma bomba nuclear.

Grossi disse que o Irã tem atualmente cerca de 200 kg de urânio enriquecido a até 60%.

Ainda assim, ele disse que levaria tempo para instalar e colocar em funcionamento as centrífugas extras — máquinas que enriquecem o urânio — mas que a aceleração estava começando a acontecer.

*Com informações do Conselho de Relações Exteriores 

Este conteúdo foi originalmente publicado em Entenda a proposta de acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos no site CNN Brasil.

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