O aumento do turismo no Japão, impulsionado pelo iene fraco, fez com que o país registrasse um recorde de 36,8 milhões de visitantes estrangeiros em 2024. Isso resultou na superlotação e no encarecimento dos hotéis tradicionais, afetando principalmente os viajantes de negócios japoneses, que passaram a buscar alternativas mais acessíveis. Um exemplo são os hotéis-cápsula, uma forma de hospedagem compacta e mais barata, e que ganhou popularidade global. Criadas em 1979 com o Capsule Inn Osaka, no bairro de Umeda, essas acomodações foram projetadas pelo arquiteto Kisho Kurokawa para oferecer estadias baratas, principalmente para trabalhadores. No entanto, tornaram-se uma opção popular entre turistas devido à combinação de funcionalidade, preço acessível e comodidades essenciais, como wi-fi, tomadas e ar-condicionado. Uma cápsula padrão oferece espaço mínimo, com colchão, prateleira e, em alguns casos, TV, além de áreas coletivas como banheiros e chuveiros. Apesar do espaço reduzido, esses hotéis garantem conforto, segurança e privacidade. As bagagens costumam ter que ficar na recepção, embora algumas cápsulas tenham armários para algumas bolsas. Os preços variam entre 2 mil e 5 mil ienes (cerca de R$80 a R$ 200) por noite, tornando as cápsulas uma alternativa econômica e prática para viajantes.Em Tóquio, uma cápsula padrão custa cerca de 5 mil ienes (em torno de R$ 181), bem abaixo dos 20.000 ienes (R$ 788) de um hotel de negócios convencional.Em geral, os hotéis-cápsula são uma opção de hospedagem bem mais barata do que os hotéis tradicionais.Como os espaços são pequenos e próximos uns dos outros, também é uma boa maneira de conhecer gente nova.Além disso, áreas comuns, como banheiros, funcionam de forma parecida com a de um hostel, o que facilita a interação.Por outro lado, isso pode ser um problema para quem prefere ficar sozinho e não quer socializar. Outra desvantagem é que as cápsulas podem parecer apertadas, especialmente para pessoas mais altas ou que se sentem desconfortáveis em espaços pequenos e fechados.Como os espaços nos hotéis-cápsula são muito próximos, é importante seguir algumas regras de boa convivência.A primeira e mais importante é evitar fazer barulho. Quem quer assistir a um filme ou ouvir música, por exemplo, é recomendado que use fones de ouvido.O mesmo vale para o despertador: para não incomodar os outros, muitos hotéis usam alarmes de luz em vez de sons.Na hora de tirar fotos, é recomendado não fotografar outros hóspedes e evitar cliques barulhentos.Outra dica é evitar comidas com cheiro forte, já que o espaço é compartilhado. Alguns hotéis até proíbem levar comida para dentro das cápsulas. Embora o turismo traga benefícios econômicos ao Japão, como geração de empregos e maior circulação de dinheiro, também causa desafios, como o impacto no cotidiano dos moradores e a dificuldade dos próprios japoneses em viajar. Para mitigar esses efeitos, o governo japonês busca distribuir melhor os visitantes pelo país e, em Kyoto, aumentará o imposto hoteleiro a partir de 2026.